domingo, 24 de março de 2013

Visita da Eurodeputada Inês Zuber


No âmbito das jornadas do parlamento europeu a eurodeputada do Partido Comunista Português Inês Zuber esteve em Ansião, onde visitou os Bombeiros Voluntários desta vila, no sentido de apurar as dificuldades que afetam esta Associação.
Inês Zuber, acompanhada por Filipe Rodrigues, membro do Comité Central e por elementos da Comissão Concelhia de Ansião do PCP, foi recebida por Rui Rocha, presidente da Direção da Associação Humanitária dos BVA, António Marques e Rui Costa, respetivamente comandante e 2º comandante do corpo ativo dos BVA.
Inês Zuber informou que esta visita “se enquadra nas jornadas parlamentares que com regularidade os eleitos do PCP fazem a instituições, associações, empresas, etc, no sentido de conhecer a realidade de cada concelho, de forma a intervir posteriormente questionando a Comissão Europeia, uma vez que a centralização das políticas não permite a visão parcelar das diferentes realidades, e consequentes necessidades”.
Feita uma caracterização pormenorizada da associação em termos da realidade vivida pelos nossos bombeiros, Inês Zuber questionou a direção e o corpo ativo acerca das principais necessidades e constrangimentos que preocupam ou põem em risco esta associação.
A necessidade de atribuição de meios diferenciados em função do território de intervenção, de reequipamento, quer em termos de veículos quer de equipamento de proteção individual dos bombeiros, foram algumas das preocupações referidas pelo presidente da direção. A este propósito, relembrou Rui Rocha que, desde 2006, apenas foi atribuído a esta associação, pela autoridade nacional, um Veículo Florestal de Combate a Incêndios. Para o presidente da direção, “a autoridade nacional deve antes de tudo fazer a diagnose das necessidades de cada território, e, em função das suas características específicas, delinear um plano de reequipamento ajustado às necessidades inventariadas. Importa, da mesma forma, redefinir uma política de financiamento a associações desta índole. Recorde-se que recentemente, com a extinção dos governos civis, foi perdida a verba que todos os anos era atribuída aos bombeiros”. Rui Rocha apelou ainda à necessidade urgente de criação de medidas, por parte do estado, que constituam incentivos para que os jovens adiram a esta nobre causa do voluntariado. Relembrou, a propósito, que hoje em dia o voluntariado não se exerce como há umas décadas atrás. Por questões laborais, agudizadas neste momento pela crise e receio de perda de postos de trabalho, os bombeiros veem muitas vezes limitada a sua atuação no terreno. Partilhando desta opinião, o comandante do corpo ativo, António Marques salientou que, apesar das condições desfavoráveis, “na hora da verdade, o altruísmo fala mais alto e quando são precisos os nossos bombeiros estão presentes.”
Direção e corpo ativo questionaram ainda os critérios de localização de postos INEM, que, no entender dos intervenientes, não tiveram em causa a realidade de ocorrências de sinistros por concelho, o que pode, na hora do socorro a prestar às vítimas, provar não ter sido esta a melhor aposta em termos estratégicos. Para o comandante, foram feitos investimentos megalómanos nas estruturas de emergência médica (INEM, por exemplo), maioritariamente nos centros urbanos, em desfavor do interior.
Com as recentes alterações às vias de circulação, prevê-se que a fuga às portagens vai acarretar maior fluxo de tráfego para a IC8, muitas vezes com cargas perigosas, o que, naturalmente, é prenúncio de maior índice de sinistralidade.
Para além dos constrangimentos citados, direção e corpo ativo referiram ainda a necessidade de uma efetiva política da floresta e ordenamento florestal, com legislação específica sobre ocupação de solos, muito importante na definição de estratégias de combate a incêndios.
Para António Marques, para quem, “os políticos devem agir”, “os bombeiros são o pilar da proteção civil, assentes numa história com seiscentos anos” e “enquanto o estado não tiver condições de estar no terreno a cumprir na sua missão, esta é a razão histórica da existência dos bombeiros portugueses.” A propósito do financiamento da associação, António Marques referiu ainda que são, na falta de subsídios do estado, os sócios da associação que garantem grande parte da sua subsistência.
 A legislação que nos últimos anos foi publicada, e que regulamenta as associações desta natureza, tem constituído, na opinião do comandante do corpo ativo,  um forte entrave a que as mesmas funcionem com a dignidade que merecem, realçando a tentativa de profissionalização dos bombeiros portugueses.
Ainda relativamente à situação financeira, importa referir o atraso nos pagamentos devidos por parte de instituições como ARS, INEM, Hospitais de Coimbra, etc, uma vez que estes pagamentos são efetuados aos bombeiros com largos meses de atraso, o que, aliado a uma deficiente política de  financiamento, leva a que os bombeiros recorram a diversas formas de angariação de fundos para garantir a sua subsistência, uma vez mais substituindo o estado no seu papel fundamental de proteção das populações.
Inês Zuber informou, a propósito dos recentes temporais que assolaram o país, que foi colocada pelos eurodeputados do PCP uma questão à Comissão Europeia, acerca dos apoios prestados, questão essa que não obteve resposta.
Cabe ainda referir que a visita da eurodeputada previa igualmente o contacto com a direção do Centro de Saúde de Ansião, contacto este que não se concretizou por indisponibilidade daquela direção.