No cenário atual acreditamos que a luta dos trabalhadores e das populações é o elemento estratégico para a saída da crise. É urgente lutar pelos valores de Abril no futuro de Portugal.
A nível nacional e internacional os grandes grupos financeiros monopolistas aproveitam para se fortalecer no meio de uma crise que teve origem nos próprios e que está a ser "transferida", através da instrumentalização do poder político, para a grande maioria dos cidadãos que vivem do trabalho ou das suas reformas.
Os graves problemas económicos, sociais e financeiros do país são inseparáveis de um processo de desindustrialização, do decréscimo da produção nacional, das privatizações, da entrega de soberania e submissão às imposições da União Europeia e ao grande capital nacional e estrangeiro. Situação que, com a assinatura do «Pacto de Agressão» pelo PS, PSD e CDS com o FMI, o BCE e U.E, com o patrocínio do Presidente da República, veio agravar ainda mais os problemas do país.
Há precisamente um ano - face à degradação da situação económica e social e à espiral especulativa - o PCP propôs, em alternativa à ingerência externa, a renegociação imediata da dívida pública portuguesa a par de outras medidas que, em ruptura com o rumo ruinoso da política de direita, assegurasse um outro caminho, de promoção da produção nacional, de dinamização do mercado interno e de valorização dos salários e das pensões.
Ao contrário do que os principais responsáveis pela situação na qual nos encontramos pretendem fazer crer, a dívida não é o resultado do povo português andar “a viver acima das suas possibilidades”, mas de uma política governativa de aprofundamento da dependência externa e de subordinação aos grandes grupos económicos e financeiros.
Sobre viver acima das possibilidades que o digam os trabalhadores das empresas têxtil do Avelar e Castanheira de Pêra que integram o grupo B4F, que à vários meses não recebem o seu salário, que o digam os milhares de trabalhadores que ganham apenas o salário mínimo, que o digam os milhares de trabalhadores que viram o seu salário roubado, o seu subsídio, a sua reforma cortada. Que o digam os milhares de jovens que têm vínculos de trabalho precário, que estão desempregados, que são obrigados a sair do país procurando uma vida melhor, aquela que não conseguem ter no seu país porque a política de direita dos sucessivos governos lhes têm roubado os sonhos e os projectos.
Estamos perante um governo que exerce o poder em total contradição em relação à palavra dada em campanha eleitoral. Assistimos a uma recusa inaceitável em fazer qualquer política a pensar nos interesses das populações. Pelo contrário, parece apostado em voltar a um passado onde liberdade e bens essenciais estavam disponíveis só para alguns.
No plano das relações laborais temos recebido denuncias de diversas situações de despedimentos sem justa causa, tentativas de aumentar a exploração dos trabalhadores alterando o seu horário de trabalho sem qualquer negociação e respeito pela necessidade de organização familiar e sem as compensações previstas na lei. Situações que são consequência de uma ofensiva ideológica que põe em causa a valorização do trabalho enquanto principal motor da criação de riqueza e que opta por um modelo de desenvolvimento retrógrado baseado em baixos salários. Modelo esse que não permite a independência financeira das famílias e afeta por essa via as PME’s e o comércio local. Um modelo de baixos salários que transforma a vida das famílias numa luta constante a que acresce com grande velocidade a destruição de importantes conquistas de Abril. Como exemplo podemos lembrar a consagração do direito ao acesso a um serviço de saúde universal e de qualidade, que agora é posto em causa através do empobrecimento da rede de serviços, aumento das taxas moderadoras, redução de comparticipações para medicamentos e transportes, provocando assim situações no limite da dignidade para utentes e profissionais do setor.
No nosso concelho só nos últimos tempos assistimos à redução do horário de atendimento nas urgências do centro de saúde, à intenção de encerrar o Tribunal de Ansião e a repartição de finanças, processo de liquidação das Juntas de Freguesia da Torre de Vale de Todos e da Lagarteira, encerramento de inúmeras PME’s e postos de trabalho. Mantendo-se esta linha de actuação política em breve assistiremos ao esgotar da capacidade financeira de inúmeras autarquias - situação a que não escapará o nosso concelho - fruto dos cortes no orçamento do estado para o poder local, na alteração radical e abrupta das regras de endividamento das autarquias. Um poder local amputado financeiramente deixará de poder realizar obra significativa à escala municipal. Esta concentração de poder no estado central é um regresso ao passado que, como antes, prejudicará severamente as populações afastando delas o poder de decisão e limitando grandemente a sua capacidade de vigilância e de participação no exercício do poder político.
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