Esta é a pergunta a que já nem os professores conseguem responder. As horas diluem-se à medida que o dia vai passando. Já ninguém faz contas. E para quê?
Sabe-se, porque a matemática ainda é uma ciência exacta, que as 35 horas semanais são para cumprir. O que poucos sabem é que para cumprir com eficácia as horas da componente lectiva, muitas outras são exigidas em casa, na preparação de materiais, na avaliação de alunos, na programação de actividades que constam dos Planos Anuais de Escola. É que se não forem exaustivamente preparadas, quer as aulas quer as actividades podem ter efeitos nefastos para os alunos.
E assim se gasta o dia. Tomemos como exemplo o dia de hoje: às 8.2o estava a trabalhar, até às 13.20. Depois de almoço, a correr, dei os últimos retoques numa actividade que estou a preparar para/ com os alunos. Fiz grelhas, defini objectivos, estratégias, modos de avaliação. Defini calendários e estabeleci contactos, fiz cartazes para divulgação da actividade, preparei um PowerPoint para servir de cenário a uma peça de teatro...
Dei por terminada esta "empreitada" às 17 horas, quando, por imposição de horário, comecei a preparar a reunião que começava às 18.30. Isso mesmo: dezoito e trinta! E à hora marcada, lá estava. Eram 20 horas quando terminei, e (Oh! deuses! Aleluia!), às 20.30 cheguei a casa.
Aproveitei a energia que as pilhas, muito enfraquecidas, ainda têm, e decidi "vomitar" aqui o cansaço, a desilusão, a frustração: Assim não se pode ser professor!E contudo, prevalece, inalterada e inalterável, a vontade de continuar esta luta sem tréguas pela qualidade da educação e pela defesa da escola pública. É por isso que vamos, no próximo dia 12 de Março, uma vez mais para Lisboa, encher as ruas da capital com a manifestação da nossa revolta. Até que a voz nos doa!


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