quarta-feira, 23 de março de 2011

sábado, 19 de março de 2011

Grandiosa manifestação da Função Pública

Enquanto muitos manifestantes ainda desciam a avenida da Liberdade, pequena demais para o mar de gente que se deslocou a Lisboa para gritar o seu descontentamento, já Carvalho da Silva usava da palavra para se dirigir à multidão: «Governo pôs o país de joelhos. Sócrates presta vassalagem à Europa. E depois de umas aulas de inglês técnico só sabe falar com a senhor Merkel»
«O governo pôs o país de joelhos em relação às instituições europeias». Carvalho da Silva, líder da CGTP, não tem dúvidas da vassalagem que o Governo presta à União Europeia.
No final da manifestação que este sábado desembocou na praça dos Restaurantes, ironizou, sobre as novas medidas de austeridade assumidas perante Comissão Europeia e o BCE: «É caso para dizer que deram umas lições de inglês técnico ao Sócrates e, azar o nosso,  ele passou a não perceber o português, e só sabe falar em inglês com a senhora Merkel e companhia limitada».

Sobre o actual momento político, que parece precipitar-se em eleições, Carvalho da Silva não tem esperança: «A dimensão mais preocupante desta crise política é que as políticas do Governo e as do PSD, que está ansioso de chegar ao Governo, são as mesmas».





domingo, 13 de março de 2011

Professores continuam em luta

Foi no Campo Pequeno que desta vez os professores deram voz à sua indignação e ao seu protesto. Casa cheia, os professores enviaram uma veemente mensagem de solidariedade aos manifestantes da "geração à rasca" que ao mesmo tempo desciam a Avenida da Liberdade, num histórico e quase heróico momento que deveria envergonhar os governantes deste país, se a consciência lho permitisse.
A previsão de despedimentos em massa já no próximo ano lectivo, em resultado das reformas propostas pelo ministério da tutela (abolição do par pedagógico de Educação Visual e Tecnológica, bem como das disciplinas de Área de Projecto, Formação Cívica e estudo Acompanhado), a Avaliação de Desempenho e as restantes medidas com que esta classe tem vindo a ser bombardeada, pondo em risco, cada vez, a dignidade e estabilidade da profissão, levaram a que, mais uma vez, os professores fossem para a rua dar voz à sua luta.
No final, depois do encontro com o secretário de estado, era visível, na atitude dos professores, a determinação e a vontade de continuarem a lutar.

sábado, 12 de março de 2011

Geração à rasca!

Já não dá para ignorar, para virar a cara ao lado, para continuar a enfiar a cabeça na areia. Acabou-se o tempo das falsas esperanças, das enganadoras promessas, da demagogia barata. Caíu o pano! Eles e elas aí estão, chegaram de repente, organizados e deram a este país uma lição de força e determinação. A geração à rasca mostrou, sem hipótede de dúvida, que fazem irremediavelmente, a partir de hoje, parte da história de Portugal! Agora, só resta aproveitar a onda e seguir-lhes o exemplo; não dá mais para parar. Esta onda só pode crescer, até à vitória final!

Jerónimo de Sousa comentou desta forma a manifestação de hoje na Avenida da Liberdade, em Lisboa:

"O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, referindo-se ao protesto Geração à Rasca que hoje decorreu, pediu aos jovens «para que não fiquem por aqui», apelando à participação na manifestação da CGTP de 19 de Março.
Durante o seu discurso no comício comemorativo dos 90 anos do PCP, que esta tarde decorreu na Alfândega do Porto, Jerónimo de Sousa disse que o partido não é indiferente «aquilo que hoje se passou em muitas avenidas e cidades do nosso país» com as manifestações da Geração à Rasca, movimento que nasceu na rede social Facebook, espalhando-se depois a vários concelhos.
«Pela dimensão dessas manifestações, tanto aqui no Porto, como particularmente em Lisboa, significa que essas novas gerações não aceitam mais serem usurpadas de direitos que lhe pertencem, direitos que lhe são legítimos», observou.
O líder do partido comunista deixou ainda um aviso aos jovens portugueses: «não confiem nos falsos amigos».
«Cavaco Silva fez um apelo ao sobressalto da sociedade civil, das novas gerações, da juventude, mas era ele que três minutos antes tinha falado da necessidade de aumentar a precariedade através da facilitação dos contratos a prazo, identificando-se com a proposta do PSD», recordou.
Jerónimo de Sousa pediu assim aos jovens para que, depois do ato de indignação e de revolta, «não fiquem por aqui».
«Esse grito, que hoje ecoou por todo o país, deve ser transformado em ação, em luta e em luta organizada. Porque lutas inorgânicas podem fazer coisas mas aquilo que o capital e a direita têm medo é da luta organizada dos trabalhadores e dos povos», justificou.
O secretário-geral comunista apelou assim aos jovens para que «lutem e participem na manifestação de dia 19 de Março, convocada pela CGTP, que será a maior acção de protesto e luta, depois da greve geral em Novembro».



quarta-feira, 9 de março de 2011

Um professor de Coimbra foi demitido do cargo de coordenador da DREC depois de ter criticado o modelo de avaliação



Ernesto Paiva, que desde 1996 coordenava a Equipa de Apoio às Escolas de Coimbra, foi chamado na quinta-feira pela directora regional de Educação do Centro, que, diz, lhe anunciou que estava demitido daquele cargo. Motivo: ter subscrito um abaixo-assinado crítico do actual modelo de avaliação de professores, na qualidade de docente da Escola Secundária Infanta D. Maria. O afastamento e a razão invocada pela DREC estão a provocar a indignação de vários directores de escolas, que admitem tomar uma posição pública sobre o assunto.

Militante socialista, Ernesto Paiva diz estar "magoado e desiludido com a administração", que "ignorou anos de trabalho que ela própria avaliou com a cotação máxima ". "Sei que exercia um cargo de nomeação, mas sempre entendi isso como um factor que aumentava a minha responsabilidade no sentido de aplicar as orientações do Governo e a legislação em vigor de forma eficaz e com rigor técnico, sem olhar a cores partidárias ou a outros interesses que não fossem os da população. Nunca pensei estar impedido de ter uma opinião e de a manifestar", disse ao PÚBLICO.

"Quebra de lealdade"
Segundo disse, já havia sido contactado uma semana antes pela directora regional, que lhe terá dito que considerava a sua participação no abaixo-assinado "uma quebra de lealdade" e o aconselhou "a pensar". Nessa altura, diz, perguntou explicitamente se havia algo no seu trabalho que não correspondesse às expectativas, ao que ela terá respondido negativamente. Como tal, "pensou" e decidiu não se demitir, por considerar que a manifestação de uma opinião "não colocava em causa" a sua capacidade "de agir com a mesma eficácia e rigor de sempre".
Ernesto Paiva - que subscreveu o abaixo-assinado na qualidade de professor - diz ter contestado um modelo de avaliação que "ignora" o facto de ele "leccionar apenas uma hora e meia de aulas por semana a uma única turma.": "Trabalhando a maior parte do tempo na DREC, só enganando a administração posso corresponder a um modelo que avalia quatro dimensões da minha actividade segundo 39 indicadores e 72 descritores. Por isso, apelei a uma reflexão sobre o sistema de avaliação - era isso que se pedia no abaixo-assinado".
A directora da Escola Secundária Infanta D. Maria, Rosário Gama, frisou ontem não ter conhecimento oficial do afastamento do ex-coordenador da Equipa de Apoio às Escolas de Coimbra e do seu regresso a tempo inteiro àquele estabelecimento de ensino. Acrescentou, contudo, que "desde sexta-feira" tem vindo a ser contactada por outros directores de escolas que "se mostram escandalizados e profundamente revoltados com a situação" e admitem "tornar pública uma posição sobre o assunto".


E assim se faz Portugal...

terça-feira, 8 de março de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Para todas as mulheres, que pelo simples facto de o serem merecem a nossa atenção, não hoje mas todos os dias, aqui fica, em jeito de homenagem, um poema fruto do sentir de uma mulher.  

Porque os outros se mascaram mas tu não

Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.


Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen.


Destacamos igualmente os nomes de algumas mulheres portuguesas que, por uma ou outra razão, nos mais variados sectores da vida, se distinguiram. Nesta homenagem pretende-se, como não podia deixar de ser, homenagear TODAS  as mulheres portuguesas, neste momento particularmente difícil que o país atravessa.


sábado, 5 de março de 2011

Avaliação de Desempenho Docente:Mais problemas que soluções!

A Fenprof avisou em tempo útil, em Janeiro de 2010, que esta avaliação seria insuportável para as escolas: por ser burocrática, por provocar conflitualidade, por não ser formativa, e por se aplicar em contextos muito negativos: numa escola sem gestão democrática e numa Administração Pública com quotas do SIADAP.
Depois, à medida que os normativos iam sendo propostos, a Fenprof acrescentou, de todas as vezes, que o ME estava a complicar cada vez mais as coisas e que o resultado seria, inevitavelmente, o protesto das escolas. Aspectos houve que a Fenprof afirmou não terem aplicação. Mas o ME insistiu e recorreu à ilegalidade afirmando que o fazia por estar do lado da solução e não do problema.
Chegámos agora ao que era inevitável: nas escolas, aos poucos, o protesto ganha dimensão e são muitas, cada vez mais, as posições que reclamam a suspensão desta avaliação, coisa que já se esperava. .. (veja aqui a Tomada de Posição dos Professores e Educadores do Agrupamento de Escolas de Ansião)
Repare-se que esta é a primeira vez em que a avaliação, na sua globalidade, se aplica. Em 2007/2008, depois da Marcha de 8 de Março, Maria de Lurdes Rodrigues foi obrigada, na sequência do memorando de entendimento, a suspender a avaliação para os professores dos quadros, tendo aos docentes contratados sido aplicados apenas quatro procedimentos simplificados permitindo, no final do ano, que pudessem renovar o seu contrato; em 2008/2009, depois da Manifestação de 8 de Novembro e das greves de 3 de Dezembro e 19 de Janeiro, Lurdes Rodrigues foi obrigada a recuar e teve de inventar o "simplex", modelo avaliativo mínimo que resolveu o problema da avaliação nesse ano; em 2009/2010 não teve lugar qualquer procedimento avaliativo; em 2010/2011 Isabel Alçada pretende levar até ao fim o regime completo de avaliação que tanta perturbação e contestação está a criar na sescolas por ser aquilo que é.
Dia 12 de Março, no Campo Pequeno, vai começar o processo de desconstrução de um modelo que apenas servia para justificar a progressão na carreira docente. O governo já acabou com essa parte da história; compete-nos agora a nós dar cabo desta outra que para nada serve.

Mário Nogueira, in Jornal da Fenprof


sexta-feira, 4 de março de 2011

Quando a abstenção é a arma dos cobardes!

Ei-los! O Roque e a amiga, apesar de tentarem mostrar ao povo português que jogam em campos opostos! Já nem eles se entendem!



"PS e PSD voltaram a unir-se contra os professores. Desta vez para impedirem que a avaliação de desempenho deixasse de contar para efeitos de concuros.
Como se sabe, a consideração da avaliação nos concursos, dada a natureza do regime de avaliação, as quotas e todas as discricionariedades que marcam este processo, é de tal perversidade que PCP e BE procuraram acabar apresentando projectos de lei que, sendo aprovados, retirariam a avaliação do concurso. Só que o PSD, abstendo-se, juntou-se ao PS e a conjugação dos seus votos impediu a aprovação destas leis.
Tem sido esta a postura de dois partidos que parecem ter-se unido contra os professores e a educação. Foi com os votos do PS e a abstenção do PSD que o governo conseguiu cortar 803 milhões de euros na educação, este ano; foi com esse sentido de voto que os dois partidos impediram a suspensão do actual modelo de avaliação...tem sido assim que as políticas, e não apenas para a educação, têm vindo a passar na Assembleia da República e o país se tem vindo a afundar cada vez mais numa crise que não parece reverter.
Aos professores compete exigir, cada vez mais, que as palavras dos deputados e dos partidos se transformem em actos. Através do site da AR (http://www.parlamento.pt/DeputadoGP/Paginas/default.aspx)  é possível chegar aos e-mails dos deputados, pelo que poderão mos professores ( erestantes cidadãos) enviar aos eleitos pelos seus distritos e(ou aos que integram a Comissão de Educação e Ciência, o seu protesto, as suas preocupações e as suas propostas." M.N.

in Jornal da Fenprof

...e como se  não bastassem estes dois, ainda temos uma erudita ministra que que só fará jus ao nome quando for "Alçada" do ministério da tutela...


Sabes quanto tempo passas na escola?

Esta é a pergunta a que já nem os professores conseguem responder. As horas diluem-se à medida que o dia vai passando. Já ninguém faz contas. E para quê?
Sabe-se, porque a matemática ainda é uma ciência exacta, que as 35 horas semanais são para cumprir. O que poucos sabem é que para cumprir com eficácia as horas da componente lectiva, muitas outras são exigidas em casa, na preparação de materiais, na avaliação de alunos, na programação de actividades que constam dos Planos Anuais de Escola. É que se não forem exaustivamente preparadas, quer as aulas quer as actividades podem ter efeitos nefastos para os alunos.
E assim se gasta o dia. Tomemos como exemplo o dia de hoje: às 8.2o estava a trabalhar, até às 13.20. Depois de almoço, a correr, dei os últimos retoques numa actividade que estou a preparar para/ com os alunos. Fiz grelhas, defini objectivos, estratégias, modos de avaliação. Defini calendários e estabeleci contactos, fiz cartazes para divulgação da actividade, preparei um PowerPoint para servir de cenário a uma peça de teatro...
Dei por terminada esta "empreitada" às 17 horas, quando, por imposição de horário, comecei a preparar a reunião que começava às 18.30. Isso mesmo: dezoito e trinta! E à hora marcada, lá estava. Eram 20 horas quando terminei, e (Oh! deuses! Aleluia!), às 20.30 cheguei a casa.

Aproveitei a energia que as pilhas, muito enfraquecidas, ainda têm, e decidi "vomitar" aqui o cansaço, a desilusão, a frustração: Assim não se pode ser professor!E contudo, prevalece, inalterada e inalterável, a vontade de continuar esta luta sem tréguas pela qualidade da educação e pela defesa da escola pública. É por isso que vamos, no próximo dia 12 de Março, uma vez mais para Lisboa, encher as ruas da capital com a manifestação da nossa revolta. Até que a voz nos doa!