A greve geral de ontem teve impactos no funcionamento de algumas autarquias. Em Ansião, o serviço de atendimento ao público esteve encerrado. Em Leiria a paralisação chegou aos 45 por cento. Algumas dezenas de escolas do distrito não abriram portas e outros serviços cumpriram os serviços mínimos.
O gabinete de atendimento ao público da Câmara Municipal de Ansião esteve encerrado ao público durante o dia de ontem, pela primeira vez, devido à adesão da maioria dos trabalhadores que desempenham funções naqueles serviços.
Fernando Medeiros, vice-presidente da Câmara de Ansião, está na autarquia há vários mandatos e afirma ter sido “a primeira vez” que os serviços de atendimento ao público estiveram encerrados por falta de colaboradores.
“Estou aqui há vários anos em funções autárquicas e não me lembro que o atendimento ao público tenha encerrado por falta de funcionários devido à greve”, afirmou o autarca do PSD, acrescentando que os outros departamentos “estiveram a funcionar normalmente”.
Além do encerramento do serviço de atendimento ao público da autarquia, oito estabelecimentos de ensino - três do ensino básico e cinco de jardins de infância -, estiveram encerrados por falta de pessoal docente e não docente. Em algumas das escolas, a adesão à greve foi de 100 por cento, designadamente nas EB1 de Ansião e Chão de Couce e nos Jardins-de-infância de Chão de Couce, Lagarteira, Lagoa Parada, Mogadouro e Pousaflores. Nas restantes, a adesão rondou os 50 por cento.
Em Leiria, onde a adesão à greve dos funcionários da autarquia atingiu os 45 por cento, alguns estabelecimentos de ensino estiveram encerrados, como foi o caso da Escola Secundária Rodrigues Lobo. No portão principal de acesso à escola estava afixada uma informação, assinada pela directora, Cristina Freitas, dando conta de que “face à adesão à greve geral, somos forçados a encerrar a escola no que diz respeito à realização da actividade lectiva”.
No Agrupamento de Escola Correia Mateus, a sede do agrupamento abriu portas, mas, a meio da manhã, a direcção decidiu cancelar as actividades lectivas por falta de pessoal docente. Num universo de 115 professores, 56 por cento aderiram à paralisação, obrigando ao encerramento de escolas do 1.o Ciclo e Jardins-de-infância, nomeadamente Arrabal, Courelas e Andrinos. As escolas secundárias Domingos Sequeira e Afonso Lopes Vieira estiveram abertas, com algumas limitações nas actividades lectivas. No Agrupamento de Escolas da Maceira seis estabelecimentos de ensino não abriram.
Noutros concelhos do distrito, a realidade foi semelhante. A Escola Secundária Calazans Duarte, na Marinha Grande, esteve aberta, mas sem actividade lectiva, devido à adesão à greve da maioria dos funcionários (assistentes operacionais).
Em Pombal, de acordo com dados divulgados pelo Sindicato Nacional de Professores da Região Centro, os alunos de seis estabelecimentos de ensino não tiveram aulas e 16 estiveram completamente encerradas.
No concelho de Alvaiázere duas escolas (Alvaiázere e Cabaços) encerraram portas, no Agrupamento de Escolas de Castanheira de Pera duas delas não abriram portas, o mesmo ocorreu com um estabelecimento de ensino do Agrupamento de Escolas de Pedrógão Grande.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Tiradas do Avante!!
No distrito de Leiria foram muito positivos os níveis de participação, fazendo-se sentir sobretudo no sector público. Nas autarquias, como em Peniche, fecharam as portas da Câmara e das piscinas municipais, enquanto a recolha de lixo registou uma adesão de 75 por cento. Muito fortes foram ainda as participações nos serviços de saúde, nas Finanças (superando os níveis de adesão observados noutras greves) e nos tribunais, conservatórias e registos. Nos CTT encerraram balcões e os carteiros fizeram greve muito perto dos cem por cento. O porto de Peniche viu a sua actividade bastante reduzida e a lota praticamente não funcionou, enquanto no sector das conservas foram também várias as empresas a registar fortes perturbações. Realce, por fim, para os sectores do vidro, moldes e metalurgia onde centenas de trabalhadores participaram pela primeira vez numa greve.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Tiradas do Avante!!
...
"Belmiro e Azevedo - defensor da abertura ilimitada das grandes superfícies para a «criação de emprego» – têm razão de ser. Num contributo inestimável para a criação de novos postos de trabalho, e aproveitando a quadra natalícia, aSonae contratou novos trabalhadores para fazer embrulhos. Não o fez directamente, antes recorreu aos préstimos de uma empresa de trabalho temporário que dá pelo nome deUR – you are one, o que sempre ajuda ao empreendedorismo, mais a mais com designação anglo-saxónica.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) os felizardos entraram ao serviço no passado dia 6 de Novembro e têm contrato até 24 de Dezembro de 2010. O pagamento, esse, será feito mediante recibo verde ou acto único, mas só a partir de 15 de Janeiro de 2011. Quanto ao salário, não tem mistérios: cada contratado recebe 12€ por turno, e cada turno tem cinco horas. Feitas as contas, apura-se que o salário/hora é de 2,4€, ou seja inferior aos 2,7€ que resultam do salário mínimo nacional. Acresce que os trabalhadores assim distinguidos com a oferta de emprego Sonae têm apenas um dia de descanso por semana, não recebem o subsídio de refeição em vigor na empresa, e não recebem trabalho nocturno apesar de um dos «turnos» terminar às 24 horas."
...
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
terça-feira, 16 de novembro de 2010
As "Novas Cartas Portuguesas" regressam do desterro
Páginas: 324
Editor: Dom Quixote
Editor: Dom Quixote
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 464
Editor: Dom Quixote
Como e possivel estas palavras estarem tao certas 14 anos depois!
.
"Ao longo do século XX multiplicaram-se revoluções socialistas e nacional-libertadoras. As experiências diversificaram-se. Alcançando grandes vitórias e grandes conquistas para os trabalhadores e para os povos. Ruiu o sistema colonial. Mas o processo universal, que parecia progressivo e ininterrupto, sofreu grandes derrotas e foi obrigado a consideráveis recuos. Por um lado porque o capitalismo mostrou potencialidades que haviam sido menosprezadas. Por outro lado, porque se verificaram fenómenos e evoluções em países socialistas, contrariando objetivos fundamentais sempre proclamados pelos comunistas.
Álvaro Cunhal, XV congresso 1996
"Ao longo do século XX multiplicaram-se revoluções socialistas e nacional-libertadoras. As experiências diversificaram-se. Alcançando grandes vitórias e grandes conquistas para os trabalhadores e para os povos. Ruiu o sistema colonial. Mas o processo universal, que parecia progressivo e ininterrupto, sofreu grandes derrotas e foi obrigado a consideráveis recuos. Por um lado porque o capitalismo mostrou potencialidades que haviam sido menosprezadas. Por outro lado, porque se verificaram fenómenos e evoluções em países socialistas, contrariando objetivos fundamentais sempre proclamados pelos comunistas.Aprendendo com a experiência, o nosso Partido definiu o seu próprio projeto de uma sociedade socialista para Portugal cujas linhas gerais o nosso Congresso confirma.
A nossa própria experiência das conquistas de Abril mostra, porém, que num processo revolucionário, a intervenção determinante e criativa das massas populares introduz elementos novos e corretos de projeto inicial.
Seria absurdo pensar para a superação do sistema sócio-económico do capitalismo existe um “modelo” de processo revolucionário e um “modelo” de sociedade socialista de aplicação e validade universal.O capitalismo demorou séculos para tornar-se um sistema mundial e teve pelo mundo as mais variadas formas de economia mista e as mais variadas formas de regimes políticos. É imprevisível (as experiências do XX reforçam a previsão) que o socialismo e o comunismo venham a ter um percurso histórico igualmente irregular e desigual nos caminhos e nas soluções.
Esta visão da história é, a nosso ver, necessária para a compreensão das experiências passadas e para melhor ajuizar das experiências presentes e das revoluções socialistas do futuro.
Um dos traços da situação mundial presente é violenta e brutal ofensiva do imperialismo (intervenções militares, guerras declaradas e não declaradas, bloqueios económicos, pressões diplomáticas, estrangulamentos financeiros, ações de terrorismo de Estado) para restabelecer e conseguir estabilizar sua hegemonia mundial e impedir o novo surto que consideramos inevitável na luta revolucionária dos trabalhadores e do povo.
O imperialismo apoia ferozes ditaduras e regimes autoritários, tudo faz para sufocar e dividir o movimento operário, liquidar os movimentos sindicais de classe, dividir e abafar as forças progressistas, liquidar, perverter ou reduzir a uma insignificante influência os partidos comunistas, colocando fim, se pudessem, ao movimento comunista internacional e a perspectiva do seu novo desenvolvimento co outras forças revolucionárias.
E também, com caráter estratégico tentar cercar, abafar, criar condições para restaurar o capitalismo e impor com seu domínio em países que (com soluções diversas) insistem em definir com sua orientação e seu projeto a construção de uma sociedade socialista.
As forças do imperialismo atingem um cinismo sem limites. Ao mesmo tempo que apoiam os mais sanguinários governos facetas e autocráticos e que nos seus países abafam as liberdades e a democracia e desrespeitam elementares direitos humanos, invocam a democracia e os direitos humanos para desencadear colossais campanhas e agressões contra outros países."
terça-feira, 27 de abril de 2010
25 de Abril, SEMPRE!
Festejou-se Abril em Ansião.
No palco, no coração de todos, músicos, organização, plateia.
Rolaram lágrimas pela face de muitos e muitas!
A Organização Concelhia do PCP organizou um espectáculo musical inteiramente dedicado a Abril através das músicas a ele ligadas. "CANTAR ABRIL", assim se chamou o espectáculo, contou com a banda "EmCantos", e superou todas as expectativas em termos de público, que aderiu e vibrou com o evento.
Hoje, em jeito de homenagem, ficam as imagens do trabalho da organização concelhia do PCP para celebrar Abril.
O nosso reconhecido "obrigado" a todos quantos quiseram juntar-se a nós nesta iniciativa, e o nosso reconhecimento especial à banda "EmCantos", que proporcionou a todos, momentos inesquecíveis.
25 de Abril, Sempre!
Concerto acústico no Centro Cultural. "EmCantos" cantaram e encantaram. Veja as imagens do espectáculao "quase" na íntegra.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Ainda o Dia Internacional da Mulher
Nunca é demais falar de algumas datas. Relembrá-las é também uma forma de alargar, no tempo, a nossa solidariedade. Aqui ficam, portanto, algumas imagens do jantar que o PCP organizou em Ansião.
terça-feira, 6 de abril de 2010
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Limpar Portugal
Sem interesses político-partidários, mas com a intervenção e calorosa participação da "nossa malta", também por Ansião se trabalhou para limpar Portugal!
Esta foi uma tarefa árdua e solidária, mas exequível, mercê das boas intenções de quantos, desinteressadamente, se dedicaram à causa. Uma limpeza difícil...mas possível! Outras limpezas se tornam cada vez mais necessárias, igualmente possíveis, se nos moverem princípios e ideais tão altruístas como este...se é que me entendem!
segunda-feira, 8 de março de 2010
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas.
Algumas vozes rejeitam esta tese, apelidando-a de mera lenda.
Não nos importa, aqui e agora, regatear a veracidade da morte destas mulheres. Se esta crueldade não aconteceu, muitas outras se verificaram, nas quais, inegavelmente, a mulher foi barbaramente "castigada" em consequência da sua condição "inferior".
Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". De então para cá o movimento a favor da emancipação da mulher tem tomado forma, tanto em Portugal como no resto do mundo.
Em homenagem a estas e a todas as outras mulheres, em particular àquelas que lutam dia após dia por melhores condições de vida, pela dignidade do ser humano, pela liberdade, o Partido Comunista Português realizou um jantar em Ansião, com a presença dE Rita Rato, membro da Comissão Nacional da Juventude Comunista Portuguesa e Deputada da Assembleia da República pelo Partico Comunista Português.
Deste jantar deixamos aqui apenas uma pequena amostra. Cumpre-nos, com prazer, registar o número de pessoas presentes, facto que nos dá ainda mais coragem para caminhar sempre em frente na luta cada vez mais necessária pela justiça e pela liberdade.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Figueiró dos Vinhos Recupera 20 Imóveis para Habitação Social
.
"A recuperação de 20 imóveis na zona histórica de Figueiró dos Vinhos, destinados a habitação social, foi avançada no passado no dia 6. O investimento é de 1,3 milhões de euros, fruto da candidatura ao instituto da habitação e da Reabilitação Urbana, que financia o investimento. "
Jornal de Leiria - 14 de Janeiro 2010
Este incentivo a título de exemplo foi referenciado na nossa proposta na ultima campanha eleitoral para as autarquicas 2009 em Ansião.
Fizemos umas pesquisas e descobrimos que há projectos licenciados para uns, mas para negociar a sua venda com projecto aprovado. Outros encontram-se em imobiliarias para venda.
Até à data nenhum actual propretário esta interessado em fazer as obras de benificiação/reabilitação.
Há muitas soluções para atribuir fins a estes prédios. Podem sempre contar com a nossa colaboração.
REABILITAÇÃO URBANA/PRESERVAR uma IDENTIDADE
quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
Podem rever neste Blog.
"A recuperação de 20 imóveis na zona histórica de Figueiró dos Vinhos, destinados a habitação social, foi avançada no passado no dia 6. O investimento é de 1,3 milhões de euros, fruto da candidatura ao instituto da habitação e da Reabilitação Urbana, que financia o investimento. "
Jornal de Leiria - 14 de Janeiro 2010
Este incentivo a título de exemplo foi referenciado na nossa proposta na ultima campanha eleitoral para as autarquicas 2009 em Ansião.
Fizemos umas pesquisas e descobrimos que há projectos licenciados para uns, mas para negociar a sua venda com projecto aprovado. Outros encontram-se em imobiliarias para venda.
Até à data nenhum actual propretário esta interessado em fazer as obras de benificiação/reabilitação.
Há muitas soluções para atribuir fins a estes prédios. Podem sempre contar com a nossa colaboração.
REABILITAÇÃO URBANA/PRESERVAR uma IDENTIDADE
quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
Podem rever neste Blog.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Horas que marcam a história
Mesmo quando se procura abafar o protagonismo e o importante papel de personalidades que merecem ser relembradas, há sempre alguém que resiste... Desta vez, foi visível o relevo que a comunicação social dedicou à histórica fuga de Álvaro Cunhal, Joaquim Gomes..... do forte de Caxias, com reportagens sobre este acontecimento que fez tremer Salazar e os seus ministros.
Vale a pena recordar os momentos vividos por estes corajosos resistentes/opositores ao regime de Salazar, aqui contados na primeira pessoa por Joaquim Gomes, um dos protagonistas da fuga que ontem comemorou cinquenta anos.
Joaquim Gomes e Carlos Costa voltaram à prisão para recordar a fuga com Álvaro Cunhal e mais um grupo de dirigentes do PCP. Depois do ter sido preso no Luso, esta fuga marca o início do exílio do líder comunista até ao 25 de Abril. Veja a reportagem multimédia, clicando aqui.A multidão que palmilha as ruas da vila ainda vocifera impropérios contra o árbitro do jogo de futebol que terminara uns minutos antes. Há uma figura estranha que circula em sentido contrário. Um guarda da GNR desarvorado e sem chapéu berra com ardor: "Fui traído! Fui traído!". Berra alto o azedume. Um homem corre na sua direcção, agarra-se a ele e pragueja ainda com mais estardalhaço ofensas ao árbitro. A fuga podia ter acabado neste andamento do Diabo, mas não, não acabou: Cunhal, Joaquim Gomes, Jaime Serra, Carlos Costa, Francisco Miguel, Pedro Soares, Rogério de Carvalho, Guilherme Carvalho, José Carlos e Francisco Martins Rodrigues conquistam a liberdade.
"O homem meteu-se por Peniche aos gritos, fui atrás dele e, quando o apanhei no meio da confusão, comecei a gritar ainda mais alto. Fartei-me de gritar nomes ao árbitro!", recorda Joaquim Gomes. "Foram os meus gritos que acalmaram a situação".
Jorge Alves cedera aos apetites dos sentidos e aceitara dinheiro para facilitar a fuga. Fora recrutado por Joaquim Gomes durante uma breve troca de palavras. É preciso ver que os presos estão proibidos de se dirigirem aos guardas. Vive-se ao ritmo dos incontáveis sons do apito e em obediência às vozes de mando. Joaquim Gomes arrisca. Há riscos piores: o risco do tédio dos dias que desfiam e o risco de morrer sem dar por nada. "A primeira coisa que fazíamos ao chegar a uma prisão era estudar as possibilidades de fuga". O contacto com o guarda foi um tiro no escuro. "Não sabíamos como ele iria reagir, mas disse tanto mal do Salazar, que o Álvaro Cunhal e o Jaime Serra concordaram em usá-lo".
A determinação de coagir psicologicamente os presos está pespegada no cartaz do regulamento prisional colocado na parede: o preso deve ter a sensação de que está permanente sob a vigilância dos guardas. "Queriam criar a ideia de que não podíamos fazer nada sem que nos vissem, mas a verdade é que recrutámos um deles para nos ajudar a fugir", ironiza Carlos Costa.
Joaquim Gomes estabelece o contacto com o guarda Jorge Alves e os dirigentes no exterior tratam dos pormenores: acertar a fuga e pagar a colaboração muda. Dias Lourenço, Pires Jorge e Octávio Pato congeminam o plano e escolhem um domingo: dia 10 de Janeiro. "Havia menos PIDES. Iam à sua vida", invoca Joaquim Gomes.
Os dirigentes no exterior aceitam a aposta na colaboração do GNR, mas advertem para os riscos de a operação abortar e provocar um aumento da repressão. "Se aquilo desse para o torto havia de ser bonito", lembra Pires Jorge. As coisas parecem correr mal a certa altura. O GNR comunica uma súbita alteração das escalas. A fuga terá de ser antecipada para dia 3 de Janeiro. As coisas parecem mesmo correr mal.
Os fugitivos mantêm-se inabaláveis: querem fugir. Cedem em aspectos fundamentais da segurança e abandonam a ideia do corte das linhas telefónicas em redor de Peniche para evitar as comunicações após a fuga. Irão fugir no dia 3.
Está tudo pronto. No largo fronteiriço ao Forte de Caixas, o actor Rogério Paulo pára o automóvel, abre e fecha o porta-bagagens. São quatro da tarde. Dois minutos depois, vai embora. Está dado o sinal para os presos das celas do lado norte.
Após o jantar das 19 horas, os guardas fazem soar os apitos para os presos recolherem às celas. Cunhal está no grupo que regressa ao pavilhão C sem protecção especial: somente um guarda prisional. Guilherme da Costa Carvalho ataca: neutraliza-o com um toalha embebida em clorofórmio e é o próprio Cunhal quem lhe enfia na boca uma peça que impede o guarda de enrolar involuntariamente a língua e arriscar uma morte por asfixia. "Nem piou", afirma Jaime Serra. É preciso acrescentar que tudo isto se passa ao som da 6ª Sinfonia de Tchaikovsky, tocada no gira-discos do preso Humberto Lopes, autorizado a usufruir desse pequeno prazer num contexto de descompressão do regime prisional.
Ninguém presta atenção aos acordes. Dirigem-se de imediato para a porta do refeitório. É aqui que são esperados pelo guarda Jorge Alves. Um após outro, os presos colocam-se debaixo do seu capote, atravessam o pequeno pátio paralelo às celas, passam numa zona vigiada visualmente por um segundo guarda, continuam até perto de um muro que terão de saltar.
A operação corre normalmente até ao instante em que o guarda decide abortar o plano abruptamente. "Ele andava cada vez mais assustado à medida que o tempo passava e na noite da fuga esperava cinco ou seis presos e apareceram-lhe dez", justifica Joaquim Gomes.
O guarda cede aos seus demónios pessoais, entra em pânico e decide fugir. "Os últimos tiveram de fazer o percurso sozinhos, rastejando e andando de cócoras". Dificilmente poderiam passar pelo segundo guarda. "Viemos depois a saber que era cunhado do Jorge Alves. De certeza que nos viu, mas fingiu".
Chegar ao piso inferior exige agora um salto considerável. Atiram-se para cima de uma figueira e alcançam os terrenos das hortas. Pedro Soares precipita-se, cai e fere-se num joelho. Continuam. Têm de percorrer mais um troço vulnerável e só depois alcançam a muralha. Conseguem. Escondem-se dentro da guarita. Há silêncios que podem ser de morte.
É aqui que Jaime Serra fixa os lençóis sabiamente atados por Francisco Miguel e lança a corda através da ameia. Começam a descer pela muralha na direcção do fosso, mas, chegados lá abaixo, irão provar uma amarga surpresa que ameaçará novamente comprometer a fuga. Guilherme da Costa Carvalho larga a corda demasiado cedo, abate-se sobre os pedregulhos na base da muralha e acaba estendido no chão a sangrar da cabeça. Fica ferido.
O fracasso esteve iminente desde o início. O guarda corrompido por diversas vezes deu sinais de desistência, forçou uma alteração do dia da fuga que impediu a aplicação das medidas de segurança e no decorrer da própria fuga desistiu e desistiu dramaticamente.
"Quando demos por ele estava a descer a muralha com as botas cardadas a roçar pelas paredes abaixo. Aquilo fazia um barulho imenso", lamenta Joaquim Gomes.
A fuga continua. Descida a muralha, o êxito está aqui mais perto. Carlos Costa ampara o corpulento Guilherme da Costa Carvalho pelo fosso até ao último muro que os separa da liberdade: avistam os carros e correm. O carro de Cunhal é dos primeiros a arrancar.
Dois homens ficam para trás e perdem-se na direcção da vila. Joaquim Gomes corre no encalço de Jorge Alves. O guarda da GNR desarvorado e sem chapéu berra com ardor: "Fui traído! Fui traído!". Berra alto o azedume. Joaquim Gomes corre na sua direcção, agarra-se a Jorge Alves e pragueja ainda com mais estardalhaço ofensas ao árbitro. Regressam aos carros e fogem. A fuga termina com sucesso neste andamento do Diabo.
Há muita informação oficial não acessível aos cegos
.
Em Portugal estima-se que existam cerca de 163 mil pessoas com deficiência visual, segundo os dados do Censo de 2001. Mas estes números parecem não sensibilizar a sociedade para a mudança de hábitos.
“Felizmente o panorama vem mudando, mas é uma mudança lenta”, disse o director da ACAPO, Rodrigo Santos. “Ainda recebo em casa muita correspondência de organismos públicos que não vem em Braille”, critica.
Rodrigo Santos lembra que o Braille - alfabeto cujos caracteres se indicam por pontos em relevo - é o meio universal de leitura e escrita das pessoas com deficiência visual. “Representa a nossa porta para a alfabetização e para uma comunicação escrita que está omnipresente”
Segundo a ACAPO, há cada vez mais pessoas sem problemas de visão a aprender Braille. Só no ano passado, a associação ensinou mais de uma centena de alunos e alguns aprenderam a ler numa semana. No entanto, a maioria usa os olhos e não o tacto para o fazer.
“Mais do que aquele pequeno fascínio de querer conhecer uma coisa nova, nota-se um interesse real da comunidade em conhecer o sistema”, comentou.
Além do aumento de pedidos de formação, a ACAPO tem tido também mais pedidos de produção em Braille por parte de empresas privadas e organismos públicos. No entanto, lamenta Rodrigo Santos, “ainda há pouca produção”, porque “não há muita sensibilização”.
Panorama nacional.
EM ANSIÃO COMO É?
É NESTAS PEQUENAS ENORMES CAUSAS QUE SE DEVE DAR PRIORIDADE.
Subscrever:
Mensagens (Atom)




