quarta-feira, 21 de outubro de 2009

José Emídio Figueiredo Medeiros

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José Emídio Figueiredo Medeiros nasceu em Ansião, em 1917, onde durante anos exerceu advocacia.
Confirma quem com ele teve a honra e o privilégio de privar, tratar-se de um homem de uma dignidade e honestidade sem limites, só comparáveis à afabilidade com que tratava quem com ele se cruzava, pelas mais diversas razões.
Portador de uma personalidade ímpar, republicano convicto e acérrimo lutador pelas causas da justiça, da democracia e da liberdade, foi co-fundador do Partido Socialista.
Quando em 1999, aquando das comemorações dos vinte e cinco anos do 25 de Abril, entrevistei para o Horizonte o Dr. António Arnaut, tive o privilégio de falar aprofundadamente deste homem entretanto falecido, e por quem nutria , desde há bastantes anos, uma ternura incomensurável, momentos houve em que as lágrimas tiveram de ser engolidas.
Foi também no âmbito destas comemorações, em cerimónia realizada no Centro Cultural de Ansião, que tive oportunidade, em representação da CDU, de publicamente render a minha homenagem ao Dr. José Emídio Medeiros, apelando à autarquia no sentido de que fosse dado o seu nome a uma rua de Ansião.
Recordo com saudade os inolvidáveis momentos que com ele passei, e, pedindo desde já desculpa aos leitores pela lamechice de personalizar este desabafo, creio mesmo que foi o único que entendeu a minha angústia, quando, acabada de fazer dezoito anos e atirada para um mundo de doutores onde me sentia completamente deslocada, era ele a minha tábua de salvação convidando-me ora para um jantar em casa dele, ora para um copo na adega do meu pai, ora para um passeio de barco no Zêzere…
Registamos com agrado a justa homenagem a este ansianense de vulto, homenagem esta que só peca por tardia.
Com saudades, e uma lágrima teimosa, deixo-lhe aqui a minha homenagem, nas palavras de Sophia de Mello Breyner:

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão
Porque os outros se calam mas tu não
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo
Porque os outros são hábeis mas tu não
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos
Porque os outros calculam mas tu não.

1 comentário:

  1. Apesar da minha tenra idade, presto homenagem a este Sr. que tanto de bom ouvi falar. Principios e ideais de uma luta não ofuscada pela hipocrisia que hoje reina numa política de carreira que em nada promove a nossa sociedade.
    Bem Haja

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