Separar o lixo por tipo na origem é o princípio básico para um melhor ambiente e qualidade de vida.
Esta é uma verdade inquestionável por quem está minimamente informado sobre o problema, e, se a informação ainda não é suficiente, de modo a sensibilizar os cidadãos para o que consideramos um verdadeiro atentado à saúde pública e ao ambiente, tal falta de informação deve-se ao fraco investimento por parte da autarquia que não tem promovido acções de sensibilização e informação suficientes.
A CDU está empenhada na sensibilização das populações para a necessidade de reciclar este género de resíduos. Esta informação pode e deve ser transmitida através de campanhas de sensibilização em escolas. Não esqueçamos o ditado que diz que “De pequenino se torce o pepino”. Lembro aqui que, no actual currículo dos alunos, e através das Áreas Curriculares Não Disciplinares, a abordagem de temas tem como defesa do ambiente, reciclagem, etc, tem perfeito cabimento e consta, inclusivamente, dos objectivos a cumprir no âmbito das áreas de Formação Cívica e Área de Projecto.
Neste contexto, e apenas a título de exemplo, apontamos três aspectos que podem contribuir em grande escala para melhorar substancialmente a situação:
1- Melhorar o sistema de recolha porta a porta de equipamento eléctrico e electrónico (ver). Os resíduos eléctricos e electrónicos, aqui incluídos computadores, impressoras frigoríficos, máquinas de lavar loiça e roupa, torradeiras, recolhidos pela autarquia, serão posteriormente depositados em ecocentros especializados na reciclagem dos mesmos. Cabe, no entanto, à autarquia, num primeiro passo, divulgar esta medida, evitando o deprimente espectáculo anti-ambiental a que assistimos com frequência, ao vermos equipamento desta natureza abandonado, sem qualquer critério, à beira das estradas.
2- Todos nós sabemos que o sector da construção civil em Portugal lida anualmente com demasiadas toneladas dos mais diversos materiais. Parte desses materiais acaba por ser considerado como Resíduos de Construção e Demolição.
Estamos a falar de materiais inutilizados no decorrer de novas construções e/ou resultantes de restaurações ou demolições de construções existentes, constituem um problema que ainda não tem uma solução aceitável mas que terá necessariamente que ser resolvido, se se quiser que este sector em Portugal seja sustentável.
Ansião deve progredir e dar um passo à frente, mesmo a título de exemplo para outras autarquias, e erigir um Centro de Gestão de Resíduos de Construção e Demolição, para que o planeamento destes resíduos deixe de ser anárquico.
3- Uma terceira medida, esta destinada a lixos domésticos que não se enquadram nos anteriormente referidos, e que é já praticada em muitos municípios, consiste na eliminação total dos inestéticos e pouco higiénicos contentores, que ainda por cima constituem, na sua maioria, barreiras arquitectónicas já que quase todos se estão localizados em cima de passeios, impedindo a livre circulação de pessoas, problema que se agrava quando se trata de cidadãos com mobilidade condicionada (por exemplo cadeira de rodas). Tal medida, simples de pôr em prática e económica, consiste basicamente no seguinte:
• Cada foco habitacional, será responsável pelo lixo que produz, armazenando-o, em sua casa, em local adequado (no caso de prédios em regime de propriedade horizontal, o próprio condomínio teria o seu espaço de recolha para todos os condóminos);
• Em hora acordada com a autarquia, por exemplo entre as 21 e 22 horas, todos os munícipes colocariam os seus colectores de lixo à porta, os quais seriam recolhidos pelas equipas camarárias e encaminhados para a estação de tratamento;
• A autarquia encarregar-se-ia ainda, através de campanhas de sensibilização e distribuição gratuita de equipamento de recolha selectiva de lixos domésticos (o que se consegue mediante parcerias com empresas ligadas a esta actividade), implementando, logo à partida, a tão necessária e ainda pouco praticada selecção com vista à reciclagem.
Cheira-me bem esta ideia ( e a expressão adapta-se perfeitamente ao conteúdo da mensagem), cheira-me mesmo bem esta vossa ideia da abolição dos inestéticos monstrozinhos verdes. Para além de serem arcaicos, são reveladores do que somos: consumistas compulsivos, autênticas máquinas de produzir lixo. Agrada-me tanto a ideia que vou tentar divulgá-la por aqui. Eu não sou de Ansião (se fooos, só por isto votava em vocês). Sou de Benavente e tomei contacto com este blog através de uma pesquisa sobre recolha de resíduos sólidos urbanos. Hei-de visitar-vos mais vezes, na esperança de encontrar ideias bem-cheirosas. Boa sorte nos resultados.
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