Competividade Económica
O decréscimo da densidade populacional no município de Ansião é uma realidade. Desde a década 1960 que não se consegue inverter esta adversidade. Em 2011 serão os próximos Censos, e pelo que temos observado, iremos presenciar mais algum declínio. O esforço para contrariar este flagelo continua engavetado, dando prioridade a equipamentos que servirão, num futuro não tão longínquo, jovens fantasmas e idosos sem um termo de vida condigno.
A razão é a estratégia fraca na criação de novos postos de trabalho e no incentivo pobre de apoiar o empreendorismo e sua divulgação. Por outro lado é não sermos ambiciosos ao ponto de querermos pertencer à sociedade moderna e desenvolvida, que tantos jovens ambiciosos sonham.
De que nos valem os campos de futebol relvados, até mesmo a criação de um núcleo desportivo se daqui a nada não teremos população jovem para ocupar os espaços? Hum?
Chamo a atenção para o desequilíbrio entre a população activa (16-65) e a que se encontra na sua dependência (> 65 anos).
Há uma prioridade urgente de criar emprego e estimular o nascimento de empresas estratégicas para o desenvolvimento do município de Ansião, de forma a garantir o futuro tanto de quem tiver a coragem de as constituir, como a dos nossos filhos que um dia procurarão emprego. É de louvar aqueles que estudam além fronteiras, que têm objectivos nobres como adquirir estudos em países mais desenvolvidos que os seus com a finalidade de voltar à terra natal e ajudar o desenvolvimento da terra. Temos presenciado, bem perto de nós, casos reais de Timorenses, Cabo Verdianos, Angolanos, etc..
Ansião, como tem pouca oferta, não será complicado encontrar estratégias sustentáveis no sector empresarial, indo, até mesmo, ao encontro do mercado das tecnologias de informação, que abrange todas as actividades desenvolvidas na sociedade pelos recursos da informática. Pequenas e grandes empresas dependem dela para alcançar maior produtividade e competitividade. Através de passos simples ensinados por empresas do ramo, muitas alcançam sucesso e com maiores rendimentos. Se formos mais longe iremos encontrar a arquitectura de informação, em que alguns artigos publicados sobre esse tema apontam o design de interfaces ou a estruturação de sítios na Web, como o seu principal foco. Entretanto a interface é uma janela para a informação. Até mesmo a melhor interface só é tão boa quanto a informação por trás dela. No fundo o que quero transmitir e encorajar é irmos todos ao encontro do progresso sustentável e actual, para uma Ansião de oportunidades prósperas estando sempre atento às actualidades.
Em primeiro lugar há que desburocratizar os processos de licenciamento e dar prioridade a estes processos aquando a sua entrada na Câmara Municipal.
Em segundo lugar e a título de exemplo, a Câmara Municipal deve investir na construção de postos de trabalho. Por acréscimo iria levantar a moral dos construtores abalados pela crise no sector da construção civil.
Deixo alguns exemplos prioritários:
• Centro de Acolhimento a Animais, com Hotel Canino;
• Centro de Reabilitação a Doentes Mentais;
• Biblioteca – Mediateca Municipal;
• Casa do Artista/Teatro;
• Casa da Música/ Café Concerto/ Clube Literário (Tertúlias);
• Estação Rodoviária/ Abrigos/ Sinaléticas;
• Centro Coworking;
• Pousada da Juventude;
• Pista KartCross.
A IC8 e IC3 abraçam o município convidando-nos a investir no sector empresarial e turístico.
A Câmara Municipal conseguiu criar o Centro de Negócios, centro de incubadoras inserido no parque empresarial, (tiro o chapéu a todos os que trabalharam para o seu nascimento) que actualmente transmite uma consciência de inércia tremenda na promoção dos espaços, deixa transparecer a ideia de que se está à espera que caiam do céu as empresas para preencher os gabinetes e valorizem o nosso município.
Na gestão do parque empresarial, ANSIPARK, é sabido que alberga muitos armazéns tirando espaço às indústrias que criam mais postos de trabalho e que dão maior visibilidade ao parque empresarial. É sabido também que a maior parte das empresas estabelecidas no parque já eram empresas constituídas; o que se fez foi centralizá-las. A ideia não é condenável mas pelo atraso da conclusão da zona industrial e uma vez que não apareciam alternativas, cometeu-se esta contrariedade. Não quero com isto afirmar que os proprietários dos armazéns não têm o mesmo direito que os industriais, mas tem de convir que o critério de selecção deve ir ao encontro de impulsionar o parque empresarial, cativando outros industriais. Conseguindo-o trará clientes para os empregadores dos armazéns. Estes têm maior facilidade de erigir num outro lugar estratégico ou então sugiro, apelando a execução do loteamento que estava previsto na zona de acesso ao Maxial/Cabeça Redonda, loteamento este que poderia ser direccionado para os ditos armazéns, que não ficariam longe da Zona Industrial da Cooperativa que se encontra em fase de dissolvência, creio, involuntária.
Dentro da direcção e gestão interna da maior parte das empresas temos notado, grande falta de investimento na formação nos recursos humanos, culpa da entidade empregadora que ignora este investimento. É necessário incentivar e sensibilizar as acções de formação no sentido de qualificar e melhorar as aptidões dos profissionais.
O comércio tradicional encontra-se completamente desapoiado, desencorajado e sem direcções a tomar para contrariar este flagelo atroz que afasta o turismo local. Falta a requalificação dos espaços urbanos apelando à permanência dos actuais comerciantes para que nos possam dar maior oferta nos produtos, sendo estes regionais ou não, bem como a requalificação dos edifícios devolutos, que nos preenchem o olhar distraído quando queremos sossegar num banco nos nossos tempos livres. Proliferam edifícios que aguardam ser ocupados por novos comerciantes, empresários, ou que sejam escolhidos para albergar uma Pousada da Juventude, um centro de Coworking, Casa do Artista/Teatro, Casa da Música/ Café Concerto/ Clube Literário, etc., que fazem todo o sentido, e seriam um bom exemplo para o incentivo à reabilitação. Ou será que o empecilho da gestão dos resíduos de construção e demolição é uma realidade no nosso município?
Vamos vivendo, sobrevivendo, neste pequeno canto de terra. Basta? Basta quando os olhos não querem ver e a alma não quer saber o que os outros sentem e pensam. É mais cómodo.
É bom saber que apesar de todas as dificuldades ainda há muitas pessoas que lutam, dia a dia, para tornar o mundo melhor, resistindo aos olhares superiores daqueles que não querem sentir, caminham contra a tempestade da indiferença e não cedem. Limitações que existem perdurando para quem quer fazer mais e melhor. Somos soterrados de burocracias inúteis que não fazem nem deixam fazer. É já tempo de dar apoio a todos aqueles que têm força para fazer melhor.
Porquê tantos anos para se conseguir uma vida de qualidade?