No âmbito das jornadas
do parlamento europeu a eurodeputada do Partido Comunista Português Inês Zuber esteve em Ansião, onde visitou
os Bombeiros Voluntários desta vila, no sentido de apurar as dificuldades que
afetam esta Associação.
Inês
Zuber, acompanhada por Filipe Rodrigues, membro do Comité Central e por
elementos da Comissão Concelhia de Ansião do PCP, foi recebida por Rui Rocha, presidente
da Direção da Associação Humanitária dos BVA, António Marques e Rui Costa,
respetivamente comandante e 2º comandante do corpo ativo dos BVA.
Inês
Zuber informou que esta visita “se enquadra nas jornadas parlamentares que com
regularidade os eleitos do PCP fazem a instituições, associações, empresas,
etc, no sentido de conhecer a realidade de cada concelho, de forma a intervir posteriormente
questionando a Comissão Europeia, uma vez que a centralização das políticas não
permite a visão parcelar das diferentes realidades, e consequentes necessidades”.
Feita uma caracterização
pormenorizada da associação em termos da realidade vivida pelos nossos
bombeiros, Inês Zuber questionou a direção e o corpo ativo acerca das
principais necessidades e constrangimentos que preocupam ou põem em risco esta
associação.
A necessidade de atribuição
de meios diferenciados em função do território de intervenção, de
reequipamento, quer em termos de veículos quer de equipamento de proteção
individual dos bombeiros, foram algumas das preocupações referidas pelo
presidente da direção. A este propósito, relembrou Rui Rocha que, desde 2006,
apenas foi atribuído a esta associação, pela autoridade nacional, um Veículo
Florestal de Combate a Incêndios. Para o presidente da direção, “a autoridade
nacional deve antes de tudo fazer a diagnose das necessidades de cada
território, e, em função das suas características específicas, delinear um
plano de reequipamento ajustado às necessidades inventariadas. Importa, da
mesma forma, redefinir uma política de financiamento a associações desta índole.
Recorde-se que recentemente, com a extinção dos governos civis, foi perdida a
verba que todos os anos era atribuída aos bombeiros”. Rui Rocha apelou ainda à necessidade
urgente de criação de medidas, por parte do estado, que constituam incentivos
para que os jovens adiram a esta nobre causa do voluntariado. Relembrou, a
propósito, que hoje em dia o voluntariado não se exerce como há umas décadas
atrás. Por questões laborais, agudizadas neste momento pela crise e receio de
perda de postos de trabalho, os bombeiros veem muitas vezes limitada a sua atuação
no terreno. Partilhando desta opinião, o comandante do corpo ativo, António
Marques salientou que, apesar das condições desfavoráveis, “na hora da verdade,
o altruísmo fala mais alto e quando são precisos os nossos bombeiros estão
presentes.”
Direção e
corpo ativo questionaram ainda os critérios de localização de postos INEM, que,
no entender dos intervenientes, não tiveram em causa a realidade de ocorrências
de sinistros por concelho, o que pode, na hora do socorro a prestar às vítimas,
provar não ter sido esta a melhor aposta em termos estratégicos. Para o
comandante, foram feitos investimentos megalómanos nas estruturas de emergência
médica (INEM, por exemplo), maioritariamente nos centros urbanos, em desfavor
do interior.
Com as recentes
alterações às vias de circulação, prevê-se que a fuga às portagens vai
acarretar maior fluxo de tráfego para a IC8, muitas vezes com cargas perigosas,
o que, naturalmente, é prenúncio de maior índice de sinistralidade.
Para além
dos constrangimentos citados, direção e corpo ativo referiram ainda a necessidade
de uma efetiva política da floresta e ordenamento florestal, com legislação
específica sobre ocupação de solos, muito importante na definição de
estratégias de combate a incêndios.
Para
António Marques, para quem, “os políticos devem agir”, “os bombeiros são o
pilar da proteção civil, assentes numa história com seiscentos anos” e “enquanto
o estado não tiver condições de estar no terreno a cumprir na sua missão, esta
é a razão histórica da existência dos bombeiros portugueses.” A propósito do
financiamento da associação, António Marques referiu ainda que são, na falta de
subsídios do estado, os sócios da associação que garantem grande parte da sua
subsistência.
A legislação que nos últimos anos foi
publicada, e que regulamenta as associações desta natureza, tem constituído, na
opinião do comandante do corpo ativo, um
forte entrave a que as mesmas funcionem com a dignidade que merecem, realçando
a tentativa de profissionalização dos bombeiros portugueses.
Ainda relativamente
à situação financeira, importa referir o atraso nos pagamentos devidos por
parte de instituições como ARS, INEM, Hospitais de Coimbra, etc, uma vez que
estes pagamentos são efetuados aos bombeiros com largos meses de atraso, o que,
aliado a uma deficiente política de financiamento,
leva a que os bombeiros recorram a diversas formas de angariação de fundos para
garantir a sua subsistência, uma vez mais substituindo o estado no seu papel
fundamental de proteção das populações.
Inês
Zuber informou, a propósito dos recentes temporais que assolaram o país, que foi
colocada pelos eurodeputados do PCP uma questão à Comissão Europeia, acerca dos
apoios prestados, questão essa que não obteve resposta.
Cabe ainda
referir que a visita da eurodeputada previa igualmente o contacto com a direção
do Centro de Saúde de Ansião, contacto este que não se concretizou por
indisponibilidade daquela direção.











